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Vazante

Vazante

Solidão Acompanhada

21
Jul21

 

Solidão e solitude: Principais diferenças | Entre Olhares

 

As ideias são um emaranhado de fios numa meada que diariamente dobamos, destrinçamos nós, para terminarem no irremediável rolo organizado por cores e grossuras, a que deitamos diariamente  mão para construir ou concluir algo, no imediato.
Há ideias a pairar no ar por todo o lado, oriundas de várias cabeças. Verbalizadas por inúmeras bocas. Silenciadas nas profundezas da alma, que ocasionalmente emergem porque urge ver luz.
Há as que nascem de conversas de café, de escritório. No ginásio, ou supermercado. Mas esta surgiu insuflada como uma bola de sabão, vinda de um passado longínquo enquanto lavava caldo verde.
Acompanhaste-me meses a fio. Dias em que nos despedíamos com um até amanhã e um sorriso sereno, a que se seguiu muito à frente um beijo simples na face. Nessas caminhadas rumo a casa, as ideias borbulhavam entre ambos, ajustando-se. E, como nós, passaram a cumprimentar-se respeitosamente. Percebendo elas e eu. Tu, que não eras parvo, vir o dia de um abraço. Um beijo longo roçando os lábios. Até se transformar no de língua, arfante e pele colada. Desses em que um, já não sabe onde começa e onde termina.
Aquele rolo, antes fio e depois meada, era um todo de uma só cor. Sem princípio nem fim.
O que doeu? Foi tão-só a falta de companhia. O reaprender a caminhar só e falar comigo. Via-te pertíssimo na frente diariamente. Mas tão infinitamente longe como o passado de onde esta ideia surgiu.
De tempos, a tempos pergunto-me se ainda respiras?
Sem peias deixo a ideia de parte e prossigo na minha solidão acompanhada. 

 

 

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